Índios protestam em Brasília contra indicação de outro general para Funai

Índios protestam em Brasília contra indicação de outro general para Funai

Após pressão, Temer já havia desistido de indicar um militar da reserva.
Movimentos fizeram marcha; secretário-executivo da Justiça receberá grupo.

 

Alexandre BastosDo G1 DF

13/07/2016 12h52 – Atualizado em 13/07/2016 13h15

 

 

Indígenas de sete etnias protestaram na manhã desta quarta-feira (13) em frente à sede da Funai, em Brasília, contra a indicação do general do Exército Franklimberg Ribeiro de Freitas para a presidência do órgão. Por pressão do grupo, o presidente interino, Michel Temer, já havia desistido da indicação do também general da reserva Sebastião Roberto Peternelli Júnior para o cargo. Os funcionários do órgão foram liberados por causa do ato.

Os manifestantes pedem a indicação de um representante da causa indígena. Um dos líderes dos guarani-kaiowá, Natanael Vilharba diz que o governo tem “desrespeitado os índios”. “Nós nos opomos às mudanças feitas na Funai. O governo tem tentado desestruturar o órgão e a nossa luta.”

O grupo seguiu em marcha para o Ministério da Justiça no início da tarde, ocupando uma via. De acordo com a pasta, líderes foram recebidos pelo secretário-executivo, José Levi do Amaral Junior, em uma reunião às 13h.

Eles levaram documentos com denúncias de”genocidio indígena”, “impactos ambientais da usina de Belo monte” e cobranças de “promessas ainda não cumpridas pelo governo”, segundo os indígenas.

“A PEC 215 dá liberdade para os fazendeiros exterminarem nossas etnias. Estão legalizando a morte dos indígenas”, afirmou o líder guarani-kaiowá.

O ato reúne representantes de etnias pataxó, jê, xakriabá, guarani-kaiowá, javaé, karajá, e kamaiurá. Eles vieram de estados como Tocantins, Goiás e Mato Grosso. Um carro do Detran fazia a proteção do grupo em meio ao trânsito.

Com gritos de “quem não pode com o índio não invade a terra dele”, os indígenas pediam também demarcação das terras. A Polícia Militar foi dispensada pelo presidente em exercício da Funai, Artur Nobre.

Polêmica
O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, afirmou no dia 5 de julho, após se reunir com lideranças indígenas, que o general da reserva Sebastião Roberto Peternelli Júnior, indicado pelo PSC para a presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai), não assumirá o posto porque o governo procura alguém com “outro tipo de perfil”.

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A indicação do general motivou uma reunião no Planalto, entre Moraes, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e lideranças indígenas.

Em troca do apoio do PSC no Congresso Nacional, o governo havia acertado que caberia ao partido indicar um nome para a presidência do órgão, e a legenda sugeriu Peternelli Júnior. A informação de que o general estava indicado para o órgão, vinculado ao Ministério da Justiça, foi divulgada na edição desta quarta do jornal “Folha de S.Paulo”.

“Não há nenhum veto pessoal ao indicado pelo PSC, mas não será ele o presidente da Funai, porque já estamos em negociação com outro tipo de perfil e coloquei isso na reunião [com os índios]. Estamos procurando um perfil que já tenha um perfil histórico de diálogo com as comunidades indígenas para aquilo que estamos planejando”, disse o ministro na ocasião.

 

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